quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Um Devaneio à Você

O trem rola pelos trilhos,
Passa sempre por lugares iguais,
Pelos mesmos dias viajo,
Uma procura sem paz.

O destino zomba seus filhos,
Os deixa sem rumo nem cais,
Navegamos como um marujo
Por tortuosos canais.

Queira, o destino, bani-los,
Esses dias tão banais,
Que procuro e não a acho,
Que viver não quero mais.

Se componho um estribilho,
Com a inspiração que você me traz,
Os versos que eu escrevo,
Traduzem você, jamais.

O meu mundo nos seus olhos,
Um dia me entenderás,
É como um dia misterioso
Que nem nasce nem jaz.

Quereria um dia escreve-los,
Em versos sem iguais,
Como é maravilhoso
O bem que você me faz.

Se eu fizesse esboços,
Como Da Vinci, geniais,
Natural seria o desejo
De pintar suas graças magistrais.

Peça que despertaria em todos
O que nunca foi sentido jamais,
Então, da Mona Lisa, o sorriso
Não seria nada demais.

Porém os meus versos rotos
Sem estilo e desiguais,
Não são justos contigo
Quando descrevem belezas tais.

Faltam à língua vocábulos,
Palavras que digam mais,
Que traduzam meus sentimentos,
Os quais em mim não cabem mais.

Transbordam por todos os lados
Como declarações torrenciais.
Todas as palavras que escrevo,
Dentro de mim acharás.


E tremo quando seus lábios
Me tentam como Satanás,
E quero possuir seu corpo,
Libertar meus desejos carnais.

Quero me perder nos seus braços,
Deixar minha vida para trás,
Me dissolver no seu beijo,
Ser parte de ti, nada mais.

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