segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

À morte de tudo

Maldito seja o sentimento verdadeiro e sincero,
Maldito seja tudo o que é espontâneo e direto,
Esquecer e matar o belo, eu espero,
Junto esquecer meu coração inquieto.

E quero para minha alma o que não é querido,
Quero para mim o que for feio e repulsivo
Para substituir o que era gentil e antigo
E por no lugar algo mais frio e abrasivo.

O contrário do que um dia eu já quis,
Quero agora matar um amor verdadeiro,
Quero sufocar à morte um sentimento feliz
E a esperança acabar por inteiro.

Por favor, extinga a chama voraz,
Que incendeia o meu coração em paixões
Por favor, seja o impiedoso capataz,
Cujo trabalho é moer em pedaços, corações.

Entrego-lhe tarefa tal,
Não porque te desgosto,
Nem porque te quero mal,
Da sua ira não quero sentir o gosto.

Mas te dou essa incumbência
Porque surgiu entre pensamentos insensatos
Um sentimento belo no meio da minha demência
Para arruinar com a lucidez de meus atos.

E se algum dia já senti algo assim,
Tão intenso, profundo e terno,
O esqueci perdido dentro de mim,
Aprisionado dentro do meu inferno.

Não quero mais me achar, nem te achar,
Quero esquecer que existo e que sinto,
Quero de uma vez por todas apagar
Desde o sentimento mais longo até o mais sucinto.