quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Amar

Me sinto guiando em uma estrada,
Que me leva para nenhum lugar,
Sem descanso nem parada,
Nem tempo para pensar.

Uma grande nuvem acinzentada,
Uma tempestade que vai despencar,
Não há abrigo nem nada,
Oque me resta é esperar.

Seguindo contra a enxurrada
De tormentos que quer me levar,
Sinto esmaecer minha vida,
Na água me sinto afogar.

Sinto-me sozinho e abandonado,
Não vejo a salvação prometida.
Roto e desacreditado,
Não enxergo uma saída.

Se minha fé fosse testada,
Verias, não há o que testar,
Se não acredito em nada.
Quem me dera acreditar!

Seria mais fácil a minha estada
Nesse mundo de penar,
A religião seria culpada
Por todo o meu mal estar.

Acredito, sim, em ti, amada,
Por ti consigo aguentar,
Da vida, toda a porrada
Que um dia eu possa levar.

E se me encontro, por fim, acabado,
Sem mais vontade de lutar,
Me lembro que estás ao meu lado,
E sempre virá me salvar.



Me veio sem ser esperada,
Essa loucura de te amar,
Minha alma foi tomada
De uma maneira sem par.

Se fosse um dia consultada,
Minha alma iria falar,
"Estou bem decidida,
Não quero nunca amar!"

Amor é uma coisa dolorida,
Que faz seu coração queimar,
Se abre uma ferida,
Que nunca mais vai fechar.

Amando se fica perdido,
Perde-se a razão e o pensar,
Só o coração é ouvido,
A cabeça sai do lugar.

Não deixo de amar por nada,
Por amor morrer e matar,
Tenho minh'alma amarrada
Por vontade de assim estar.

Já foi minh'alma alada,
Vivia a se aventurar,
Se hoje ela sai perdida,
É para te procurar.

Se me vir de boca fechada
E olhos longe a pensar,
Minha mente esta perdida,
Te buscando em algum lugar.

Tenho pena de um coitado,
Que vive sem se dar,
Pois por mais que seja sofrido,
Não quero me libertar

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