Do quarto, olho pela janela
Como um último recurso
Tento afastar meus pensamentos dela,
Que da minha vida tenta mudar o curso
E por mais que eu não aceite,
Ela continua, em mim, presente.
O céu esta cheio de nuvens acinzentadas
Como se fosse gótico ou byroniano, deus
Dando pinceladas frias e desesperadas
Para compor obscuros dias meus.
E lembro-me que não estou sozinho,
Tenho essa dama de preto no meu caminho.
Agora o abraço dessa dama se aproxima,
Digo adeus à minha doce música,
Canto sombrio a minha pobre rima
E o silêncio veste sua fúnebre túnica.
Ao longe vejo uma nuvem se abrir
E a esperança de um luar surgir.
E outra imagem não me aparece,
Só consigo imaginar seu rosto,
Como a resposta para minha prece,
Consigo novamente, eu, sentir o gosto
De algo que outrora me deixava,
Preenche o vazio que me ocupava.
Você é um enigma sem fim,
Conhece cada canto de minh'alma
Sem ao menos perguntar pra mim,
O que me entristece ou o que me acalma.
Como se conseguisse me invadir
E todos os meus segredos possuir.
Como veio esse luar inalcansável,
Sem avisar e sem explicação,
La se vai ele, belo e intangível,
Deixando me, eu e meu coração,
Que já não sei se bate ou é batido,
Se ainda é puro ou fora corrompido.
Nas costas de uma Fênix negra
Adormeço, quase inconsciente.
Esperando não mais despertar
Para esta vida inconsequente.
Fênix, para longe, leve-me,
Quando não mais puder, esqueça-me.
Por.: Jack Hellbounds
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