O
verdadeiro amor é um precipício convidativo!
Sinto
a distância se aproximando a cada hora que se segue,
Sinto
o calor congelando por entre meu coração vívido e inerte.
As
horas correm lentas durante esses minutos intermináveis,
A
eternidade é tão pequena para quem crê em promessas inefáveis...
...
Correntes
de ar frio molham a face de minha ternura,
Afagam
com suas garras invisíveis o que até então me manteve segura...
Como
presa a um cais avulso, perdido em meio ao dilúvio
Me
agarro a lembranças vazias que me abstraem do mundo.
Vivo
as horas presentes como se vivesse dias anteriores,
Desenhando
cada um de seus passos, detalhando á deriva cada um de seus ardores...
...
Seus
lábios me parecem distantes agora...
Teu
corpo, tua pele... Tudo em ti se esvai pra aonde desbravam-se as glórias...
A
infelicidade é tamanha que já não a sinto,
Pois
adormeces-te meus sentidos num desprazer sucinto.
...
Em
meio a este tênue silêncio vorazmente ensurdecedor,
Tento
acalmar minhas fúrias maçantes diante a um leito de terror.
O
que até ontem fora pitônicamente extremo,
Hoje
se definha em lamentáveis murmúrios turbulentos...
Se
o amor se descreve assim, tão envolto por tristezas e desgraças,
Peço
ao mundo que desprenda-se dele!!!
...E
sinta por fim a decadência das raças...
Com amor ou sem amor...
A vida será sempre uma intensa aventura.
Repleta de prazeres e desprazeres,
De paixões e ilusões,
De caos e tranqüilidade,
De guerra e paz!
A diferença é que vivendo de amor, você mantém-se cego...
Já sem ele...
Bem...
Essa é a grande injustiça...
Sem ele você não
vive!
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