Foda-se o lirismo,
As rimas e a métrica.
Foda-se as palavras rebuscadas,
Buscadas e achadas.
Enfim foda-se tudo o que se tem por poesia.
Não quero saber se é bonito,
Deglutível,
Ou se faz sentido.
Não faço sentido,
Faço poesia.
Não quero saber
Se você gosta ou não.
Minha poesia é tosca,
Fosca.
É meu sentimento
Jorrando de minhas veias,
É bom se manchar,
Se você contrair minha doença,
Se fizer você sentir.
Não me analise!
Mas se resolver fazer,
Foda-se!
Não quero permissão para escrever.
Eu não penso nisso,
Não penso em nada,
As coisas acontecem,
As palavras são vomitadas da minha boca.
Minhas veias se rompem,
Tenho ataques de fúria,
De amor, etc.
Esses sentimentos...
Que são eles?
Nada.
Afinal quando os sente, eles não tem nome.
Eles apenas explodem,
Te tomam,
Te consomem,
Ai sim eles tem nome,
Eles se tornam você:
José!
Então, pela última vez:
Foda-se.
Liberte-se do que você espera de mim,
De todos,
Do mundo.
Nada faz tanto sentido
Que você possa saber oque vem pela frente.
Solte o volante,
Encoste no banco,
Pise no acelerador
Com os dois pés.
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